Coronavírus se difundiu do leste para o oeste e deslocamento se deu principalmente pda BR-230, diz pesquisador. Pesquisa mostra que coronavírus se difundiu do leste para o oeste e que deslocamento se deu principalmente a BR-230

Uma análise de dados de uma pesquisa mostrou que o coronavírus se difundiu do leste para o oeste e que o deslocamento se deu principalmente da BR-230, na Paraíba.

A pesquisa do Laboratório de Estudos e Gestão de Águas e Território, vinculado ao Departamento de Geociências da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), criou um serviço de produção e divulgação de mapas e dados com a espacialização e a evolução dos casos oficiais da Covid-19 na Paraíba.

Conforme a pesquisa, os polos regionais ao longo da BR-230, como Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras, tornaram-se novos centros de disseminação, em caráter regional.

Esses dados são então filtrados, analisados e inseridos em ambiente de Sistema de Informação Geográfica (SIG) para a geração dos mapas. O último, disponibilizado no domingo (17), registra 194 óbitos, 11 a mais do que no mapa do sábado (16), que contabilizava 183 óbitos.

Segundo análise do professor pesquisador Pedro Vianna, a falha no acompanhamento dos primeiros casos, com a ausência de exames, não permite saber se o principal meio de entrada do vírus na região de João Pessoa foi pela via aérea, originário de São Paulo ou de Brasília, ou pela BR-101, vindo da região metropolitana de Recife, no Pernambuco.

Conforme a análise, a região de João Pessoa expandiu o vírus pelo seu entorno e se tornou uma vasta zona de contágio, contribuindo para isso sua morfologia urbana, com aglomeração urbana com alta densidade populacional.
De acordo com os estudos, há mais de 80 comunidades na capital.

O alto grau de verticalização nas zonas de classe média e alta do litoral obriga o uso de áreas comuns como elevadores, relevantes na disseminação do vírus.

Segundo o estudo, outros fatores que colaboram para a propagação da doença são a estrutura interna da rede de distribuição de serviços e mercadorias, principalmente a de alimentos, ainda fortemente marcada pela presença de mercados municipais e feiras livres em diversos bairros, quebrando o distanciamento social.

Outro problema é a disponibilidade hídrica. Em zonas que não são atendidas por rede de água tratada, as pessoas não têm como fazer a higienização para prevenir o contágio.

A execução do mapa está sob a responsabilidade de alunos de graduação, mestrado e doutorado do Programa de Pós-graduação em Geografia da UFPB.

O trabalho vem sendo desenvolvido desde o dia 2 de abril. Uma parte das atualizações é feita por rotinas automáticas que buscam e capturam dados de sites oficiais do Governo Federal e da Paraíba, principalmente os dos boletins da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba.

Os mapas são elaborados pelos estudantes Francisco Segundo Neto (doutorado), Maria Cecilia Silva (doutorado), Thiago Farias (mestrado) e Arthur Santos (graduação).

Com G1 PB