Anônimos, trabalhadores de todas os setores, profissionais da saúde, autoridades e políticos. O novo coronavírus não distingue classe, gênero, cor e não faz qualquer segregação ao atacar os pulmões de suas vítimas. Na Paraíba, já são mais de 3.739 casos confirmados em pelo menos 128 municípios. O estado já alcança a marca de 170 óbitos por Covid-19, a doença provocada pelo novo vírus. Entre os números cada vez mais alarmantes, histórias de pessoas que tiveram suas vidas e sonhos interrompidos abruptamente.

Na política – A morte da ex-primeira dama Lúcia Braga, ocorrida na última semana, foi a primeira na classe política da Paraíba. Ela faleceu aos 85 anos, após apresentar sintomas de pneumonia e ficar uma semana internada em um hospital privado da Capital. A ex-parlamentar, que testou positivo para o novo coronavírus, não resistiu ao agravamento do seu quadro de saúde, também, após uma infecção urinária. Devido às recomendações do Ministério da Saúde, o enterro ocorreu no mesmo dia de sua morte, sem tempo para despedidas.

Quem também está infectado é o ex-governador Wilson Braga, marido de Lúcia, que foi internado em hospital privado após apresentar sintomas semelhantes. Aos 88 anos, ele também testou positivo para coronavírus e segue lutando pela vida em uma UTI de um hospital privado em João Pessoa. Seu estado de saúde é considerado grave após complicações no funcionamento dos rins. O ex-governador não conseguiu participar do velório da esposa. Além dele, outros políticos do estado já confirmaram a infecção, mas não estão hospitalizados.

No setor privado – O coronavírus também fez vítimas no setor privado, tirando a vida de empresários e empregados. Um gerente de uma rede de supermercados da Capital morreu no dia 04 de abril após contrair o novo coronavírus. Tety Ferreira tinha 43 anos e era hipertenso. Dos primeiros sintomas, em 28 de março, para o dia da morte, foram apenas 7 dias.

Outra vítima da Covod-19 foi o filho do empresário Eduardo Carlos, presidente da Rede Paraíba de comunicação, Mateus Zerbone Carlos, de 34 anos. Ele morreu no dia 30 de março por complicações de um quadro de pneumonia. O resultado do exame só saiu nove dias após a morte, confirmando a Covid-19. O corpo dele foi cremado. Matheus foi ex-diretor de marketing do Náutico, time do qual era torcedor fanático.

Defensoria Pública – Na última quarta-feira (13), faleceu o advogado José Belarmino Sousa, aos 67 anos de idade, vítima da Covid-19. Ele atuava como defensor público da Vara da Família em Bayeux, na região metropolitana de João Pessoa. Deficiente visual, ele era conhecido pelo desempenho na função que exercia na cidade. Ele deixa mulher, filhos e netos. De acordo com irmãos de Belarmino, antes do óbito ele presentou sintomas de uma gripe, mas o quadro agravou-se em seguida. Ele testou positivo para Covid-19 e também tinha comorbidades, a exemplo de diabetes.

Igreja – Quem também faleceu em decorrência da doença foi o Arcebispo Emérito da Paraíba, Dom Aldo di Cillo Pagotto. Ele morreu no dia 14 de abril, aos 71 anos de idade, em Fortaleza, onde morava atualmente. Ele foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital no Ceará, com sintomas de Covid-19 e lutava contra um câncer há dois anos. O religioso, que já estava com o quadro clínico debilitado, não resistiu ao agravamento da saúde.

Profissionais da saúde – O avanço do coronavírus na Paraíba está preocupando, também, os profissionais da saúde, principalmente os médicos e enfermeiros que trabalham na linha de frente contra o novo vírus. Um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontou que cerca 10% dos casos confirmados de coronavírus no estado são de profissionais do setor. Pelo menos 4 médicos já perderam a vida para o coronavírus.

No dia 13 de abril, faleceu a médica Maria de Fátima Castelo Branco, aos 60 anos de idade, vítima da Covid-19. Ela era especialista em medicina preventiva e social, medicina do trabalho e clínica médica e trabalhava no setor de regulação da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP). A profissional não atuava na linha de frente contra o vírus, mas mesmo assim foi atacada por ele.

Menos de mês depois, no 07 de maio, a Covid-19 tirou a vida do médico Solon Pereira Lopes Ferreira, de 61 anos. Ele era conhecido por sua atuação na gerência da junta médica do Detran-PB, e também trabalhava em hospitais no Rio Grande do Norte. “Dr. Solon sempre foi reconhecido pelos colegas como um profissional qualificado, competente e dedicado”, disse o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte por meio de nota.

Por último, quem perdeu a vida foi o médico Marcos Paiva, de 67 anos, na última quinta-feira (14). Ele era clínico geral e fazia parte da equipe médica do Hospital Samaritano há quase 40 anos. O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) externou pesar pelo falecimento dos médicos paraibanos e prestou solidariedade aos familiares dos profissionais.

No setor de saúde, quem também perdeu a vida foi Cláudio Raimundo Soares, técnico de enfermagem, de 56 anos, no dia 21 de abril. Ele era cardiopata e trabalhava em um hospital particular da Capital.

Também ligado ao mesmo setor, um dos casos mais marcantes foi o de Quézia Leite Batista, de 34 anos, servidora pública que trabalhava na maternidade Frei Damião e morreu ainda em 24 de março, quando os casos ainda eram os primeiros. Quézia ficou internada em um hospital privado em João Pessoa, com notificação de suspeita para Covid-19, onde permaneceu durante alguns dias, mas seu quadro se agravou. Dois testes feitos na paciente, na época, deram negativo para o novo vírus, mas um novo exame confirmou que ela estava com a Covid-19. O fato comoveu a Paraíba e acendeu a luz amarela para o que viria a acontecer nas semanas seguintes.

O perfil dos óbitos

Segundo o último boletim epidemiológico disponibilizado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em 09 de maio, 38% dos óbitos até aquela data eram do sexo feminino e 62% do sexo masculino. Em relação à faixa etária, mantêm-se maior as mortes nos indivíduos acima de 60 anos, com a média de idade de 66 anos para o sexo feminino e 63
anos para o sexo masculino.

Segundo a SES, houve um número significativo de óbitos em pessoas do sexo masculino na faixa etária entre 50 e 59 anos, que não é considerada um fator de risco, e na faixa etária de 80 a 89 anos houve um predomínio em pessoas do sexo feminino. A taxa de letalidade por COVID-19 se mantém maior na população de idosos acima de 80 anos de idade, esta taxa na Paraíba é de 5,8%, o que significa que a cada 100 pessoas contaminadas, aproximadamente 6
evoluem a óbito, e a taxa observa no país é de 6,8% nesse mesmo período.

Já a média de idade dos infectados pela Covid-19 foi de 44 anos, variando de 26 dias a 106 anos. A faixa etária mais acometida foi a 30 a 39 anos (27%), seguida pela 40 a 49 anos (22%), relacionadas a população economicamente ativa, que é a mais exposta. Entre os sexos, a doença distribuiu-se sem diferença significativa, masculina com 50,4%.

Para tentar conter o avanço do vírus e as mortes causadas por ele, o Governo da Paraíba e as gestões municipais da Região Metropolitana de João Pessoa irão apresentar, nos próximos dias, um plano de ação que visa ampliar as medidas de isolamento social para conter uma maior propagação do coronavírus nos municípios, que concentram mais de 70% dos casos da doença no Estado. O plano deve abranger a restrição de circulação de pessoas e de veículos; obrigatoriedade do uso de máscaras; campanha de comunicação; além de ações sociais voltadas para as pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Com Polêmica Paraíba