Após a crise com o Governo da Paraíba, policiais militares que atuam no movimento de defesa da categoria sofrem retaliações. A primeira foi a transferência para a reserva remunerada, ou seja, aposentadoria compulsória, de uma das principais lideranças do movimento, Coronel Ramalho. Ato administrativo fruto da mudança da Lei 19.954/2019 – que trata do Sistema de Proteção Social dos Militares Estaduais – que retirou direitos trabalhistas de policiais paraibanos.

Segundo Coronel Ramalho, o governador João Azevedo junto com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALPB), Adriano Galdino, “começaram os ataques sorrateiros aos líderes do movimento” com a publicação no Boletim Interno da Corporação da PMPB, nessa terça-feira (dia 1º), de uma lista com os nomes de mais de 70 militares que devem receber aposentadoria compulsória, inclusive o Coronel Ramalho, que não se enquadraria, caso a Lei 19.954/2019 não tivesse sido alterada para prejudicar a categoria.

Coronel Ramalho explicou que, entre as emendas à Lei 19.954/2019, o Governo do Estado ignorou o artigo que previa que os policiais militares poderiam se manter na ativa por 35 anos, e não mais pelos 30 anos que era estabelecido na legislação passada. “Esse conluio do governador João Azevedo com o presidente Adriano Galdino não trouxe prejuízos só para Coronel Ramalho, mas para toda uma categoria profissional que está sendo obrigada a deixar de atuar na proteção da sociedade e ficar em casa de braços cruzados”, avaliou Coronel Ramalho, reforçando que ele é o único policial militar que atua junto com o deputado estadual, Gilberto Silva, que vai para reserva.

“Mais uma vez o Governo da Paraíba mostra o descaso com a Segurança Pública do nosso estado. Aqui motoristas policiais sequer estão habilitados para conduzir viaturas de emergência, além disso o Estado não tem fornecido nem cintos, coletes e coturnos”, afirmou Coronel Ramalho, acrescentando que muitos militares já foram forçados a trabalhar usando até sandálias durante os plantões, fora o fato de que a hora extra de trabalho tinha o valor de R$ 6,86 centavos e os policiais são obrigados a trabalhar mais de 400 (quatrocentas) horas, inclusive, na sua hora de folga.

Para Coronel Ramalho, tudo isso é um absurdo. “Mas não vão conseguir me calar e vou continuar minha luta na defesa da dignidade da nossa categoria que tem sido tão massacrada pelos governos anteriores e o atual”, declarou ele, lembrando que as eleições de 2022 estão chegando e os eleitores paraibanos vão sabe dar a resposta nas urnas.